Minha fé é meu jogo de cintura

2012_08_21_22_46_460

No último sábado eu soube que um amigo é HIV positivo. Ele já estava doente há meses e resolveu abrir a condição em um blog, ato que considero além de corajoso, muito positivo para sua recuperação. Escrever pode ser uma terapia intensa. Esse amigo não é muito próximo, mas esteve presente em momentos bem divertidos da minha vida. E mesmo não sendo meu BFF, nem amigo de infância, a notícia me abalou bastante. Refleti sobre muitas questões e em especial sobre a fé. Ele se apegou muito a Deus nesse momento. Em seu blog é possível ver que o que despertou esse apego foi o pedido de uma enfermeira, que ciente da sua condição – ele estava com 8 doenças oportunistas – sugeriu que confiasse a sua vida a Ele.

Me parece realmente muito melhor se apegar a forças extraordinárias estando a beira da morte, mas sendo eu atéia, me pareceu também invasivo e tendencioso. A enfermeira, a serviço da ciência, não deveria confortá-lo de outras maneiras? Ou o peso de um ser superior pode ser o melhor nesse momento? Estando eu na mesma situação, a minha (des)crença permaneceria inabalável?

Sei que se entregar e ser pessimista faz com o que a doença piore. Nesse caso, não seria realmente melhor confiar que existem forças externas agindo a seu favor, respondendo a suas orações, operando em sua melhora? Ou é possível manter o otimismo e a vontade de viver “sozinho” sabendo que é isso certamente o que deve ser feito?

Pensei em como nada é definitivo, que descuidos podem acarretar em consequências significativas pro resto da visa e que acontecimentos desse tipo, mudam e transformam. Pensei que nossas certezas são insignificantes, que somos cheios de opiniões e ideias, mas que existem situações que podem virar tudo de cabeça pra baixo e te mostrar que você é apenas um bichinho alheio à estatísticas e possibilidades.

Segundo a Física Quântica, nós temos controle sobre o todo, mas na minha cabeça ainda não está definido porque certas coisas acontecem. E eu escolhi acreditar que não é um ser superior que controla tudo e todos. Mas o que é a fé além de uma escolha, não? É natural se apegar a alguma força em adversidades. E a força vem tanto na forma de gente (família e amigos), quanto na forma de um deus. Vejo pessoas falando que vão rezar pelas outras. Eu escolho “torcer” pela melhora desse amigo. Eu escolho torcer para que haja pouco sofrimento e que ele se recupere, se apegando aquilo que considera uma verdade. Eu escolho respeitar todos os dias as escolhas das pessoas, inclusive a dele, e nesse caso, o que mais me interessa é que a coisa mais importante permaneça inabalável: a vida.

Anúncios

2 Comments Add yours

  1. \bem, tudo o que vc faz sentido. E muito sentido. Talvez eu tenha a minha bografia publicada anda neste mes de março, mas acredito que não. Eu morei nas ruas de São paulo no final da década de setenta e parte da década de 80. Eu me vi cara a cara com a morte, quer seja por uma razão “clínica” que seja por ter encontrado alguém hostil pelo caminho e, nestas vezes, eu tive de estar corpo a corpo, as vezes contra duas pessoas para encontrar uma via, uma passagem, antes ue a polícia chegasse em mandasse para a FEBEM. Se meu pai, que me espancava como um cão (e nem em um cão eu bateria coo ele bateu em min) fosse chado à FEBEM eu tenho certeza qyue ele iria para dizer que me mantivessem ali. Bem, eu vou passar um link aqui e espero, sinceramente, que isso não a deixe amofinada.
    Talvez vpcê estranhe um pouco determinadas “particularidades do meu vocabulário”, mas, enquanto fui morador de rua pedia esmolas para duas coisas. Uma delas era comer. A outra para guardar livros. Quem vive ns ruas sabe o quanto é duro “ter” alguma coisa. Então, cada morador de rua escolha m luar só seu onde ele escondia as suas. Eu usava,, também de sacos plásticos para não perder os livros.
    Eu descobri uma banca de usados (um sebo) com uma placa verdadeiramente singela: Troco dois por um.
    Assim, depois de comprar o primeiro le-lo e guarda-lo, eu PEDIA MAIS ESMOLAS e comprava um segundo..
    Lia-o e trocavava-os por um.

    Vocês ficariam surpresos com determinadas ilações que eu guardo para mim…

    Bem. Eu poso, se alguém quiser, passar meu RG aqui e pode dar busca, procurar por antecedentes criminais e não achará nada.
    Boa índole? Talvez, mas eu roubei algumas frutas e comi em alguns restaurantes baratos e fugi sem pagar. De certa forma me apropriei do que não era meu. Apesar de minha personalidade ser completamente imprevisível… as ruas implantaram em mim o Transtorno da Personalidade Limítrofe (ou borderliner, como preferem alguns) eu nunca feri ninguém mortalmente. Em defesa de minha integridade física ru “neutralizei oponentes com os recursos que me estavam a mão” e isso não é pouca coisa. Enfim, esperemos pelo livro que quando e se, for publicado, eu voltarei aqui.

    Eu vou por aqui um depoimento meu. Um não, dois, para que me conheçam melhor.
    assim, Priscila, eu ouso dizer-lhe que, depois de morado nas ruas e vivido na noite sem me dar o direito de cometer um só crime, eu ouso dizer que, olhando daqui para lá, em visão retrospectiva eu vejo, sim, Deus me auxiliando no caminho com todos os recursos inclusive este, de ter um corpo resiliente, porque, duas meningites, mas de 8 pneumonias, um infarto e duas embolias pulmonares e eu ainda estar vivo, depois de ter ficado separado de minhas filhas, por conta da crueldade da mãe, sem enlouquecer (às vezes me pego falando sozinho e não tenho muita creteza se não há uma ponta de loucura nisso)é um evidente sinal que Deus tem um propósito para mime para tudo isso 😉

    https://soropositivo.org/2016/10/30/depoimento-de-um-soropositivo/

    https://soropositivo.org/2016/06/19/cura/

    Gostar

  2. Olá, Cláudio!

    Li toda a sua história no primeiro link deixado e estou estatelada. Fico feliz que eu tenha sido levada até você enquanto procurava informações sobre HIV para inserir nesse post porque entendi que essa sempre foi sua intenção com o seu canal e mais feliz ainda com seu comentário aqui. E depois um pouco mais feliz porque o que escrevi fez sentido pra você. Sua história é formidável, com muitas lições e totalmente digna de uma biografia – que aliás, já estou aqui na torcida que saia! Parabéns pela força que teve/tem e respeito completamente que a chame de Deus.

    Quanto ao Boderline, dificilmente saímos ilesos de traumas e você tem alguns ao longo e sua vida. Se serve de consolo, conheço outras pessoas com a mesma síndrome e que nem passaram por nada do que passou. A nossa mente nos comanda e todos nós temos nossas questões, falamos sozinhos, somos pelo menos um pouco loucos. Como viver nesse mundo sem ser louco, né?

    Fique com DEUS.

    Um forte abraço,
    Priscila.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s